Projeto Lixo Mínimo
Matas preservadas, biomas intocados e fartura de águas. A região turística de Visconde de Mauá é um convite ao convívio harmônico com a natureza. Essa relação se espelha perfeitamente em um hotel que assumiu um compromisso ecológico, o Bühler, que há sete anos segue à risca a proposta de reduzir ao máximo o lixo que produz, e incorpora a cultura dos três “r”: reduzir, reaproveitar e reciclar. Hoje nem uma folha de papel entra no caminhão de lixo da prefeitura e boa parte da água volta ao leito do rio tão limpa quanto entrou – num grande lago, carpas e aguapés limpam a água usada no hotel (fora a dos sanitários). Uma pequena usina hidrelétrica ainda abastece o hotel de energia limpa e renovável. Essas ações se traduzem em redução do impacto ambiental – menos lixo nos rios, na mata, nas ruas e nos depósitos; menos gasto na coleta de lixo e incremento da economia doméstica com a otimização do consumo, a utilização de compostos orgânicos e com a eventual venda de material reciclável.
A mudança começou com Norma Bühler na gerencia do hotel: preservar a natureza de um de seus grandes predadores – o lixo – é há mais de vinte anos sua meta. “Nosso trabalho é mudar a cultura de jogar no rio o que não se quer mais”. Esse hábito é antigo, pois a prefeitura só começou a recolher os dejetos na década de 80. Antes as pessoas os enterravam ou… os jogavam no rio! A principal vítima ainda é o Rio Preto, que corta as vilas da região.
Em 1999, Norma ficou encantada com o projeto “Lixo Zero”, apresentado pelo biólogo Luiz Toledo. Baseado no uso de composteiros, mini usinas que transformam resíduos orgânicos em húmus, um adubo fértil que depois é usado na horta e nos jardins, o projeto foi adaptado às necessidades do Bühler e rebatizado de “Lixo Mínimo”. O melhor do composteiro criada por Toledo é que funciona por aeração espontânea, você coloca o material orgânico e não mexe mais. Há de vários tipos e tamanhos. No hotel, uma grande dá conta do que é gerado lá dentro; e, nos jardins, há pequenas para folhas e galhos secos. O adubo produzido pelos composteiros alimenta 100% da horta do hotel. Quanto ao lixo reciclável, ele é separado, limpo, armazenado e transportado para uma instituição beneficiente. Ao que não se recicla, nem se decompõe, foram criados túmulos, como o da bituca de cigarro. Para o projeto dar certo, Norma treinou seus funcionários Para ensinar os funcionários a “identificar” o lixo, pegava uma garrafa de plástico e perguntava “vocês acham que isso vai apodrecer um dia?”. Além de contar com a mobilização da equipe, ela teve apoio dos hóspedes para, por exemplo, separar as fraldas descartáveis. “Todos são simpáticos ao projeto”, garante. O melhor é que outros donos de hotéis se empolgaram com a idéia e o know-how está sendo partilhado! As águas agradecem. e conta com o apoio de hóspedes. Durante a estadia eles são convidados a depositar cada tipo de resíduo em um recipiente apropriado, facilitando o trabalho dos funcionários, que também aderiram integralmente ao projeto.
Com o projeto Lixo Mínimo, a região de Visconde de Mauá participa da ação global de uma mudança de paradigmas em que o lixo deixa de ser visto como lixo. Podemos, sim, consumir menos – embalagens, principalmente – e sermos responsáveis por todo o lixo que produzimos. Nesse sentido, o projeto é educativo: por meio de bons exemplos mostra que mudanças de hábito são possíveis, ampliando a conscientização ecológica e reduzindo o desperdício.

O Lixo Mínimo é referência de sustentabilidade e recebe visitas de todo o Brasil. Para quem quiser conhecer in loco, Norma proporciona uma visita guiada, apresentando os diversos tipos de composteiros utilizados para cada fim. O melhor é que donos de hotéis e de outros estabelecimentos da região se empolgaram com a idéia e o know-how está sendo partilhado!
Para saber mais: www.hotelbuler.com.br
A chave para a solução do lixo está no composteiro, um equipamento simples que funciona por aeração espontânea: você coloca o material orgânico e não mexe mais. Há de vários tipos e tamanhos. Na área de serviço do hotel, um grande dá conta das sobras das refeições; e, nos jardins, há pequenos para podas do jardim.
Em toda a área do hotel há simpáticos recipientes para separar o lixo orgânico e o seco. |