Trutas frescas, massas caseiras, fondue, chocolate, pinhão
e outras especialidades de Mauá dão sabor à vida na serra
PREPARE OS TALHERES

De abril a agosto, muitos restaurantes servem pratos
inspirados no pinhão, que virou patrimônio cultural da região
Friozinho da montanha, caminhada, cavalgada e até um passeio sem compromisso pelas vilas despertam o paladar. Seja fome ou vontade de comer, não se avexe: abra a boca, feche os olhos e... entregue-se aos prazeres da gula. O fato é que Mauá é hoje sinônimo de boa mesa. Tem feijão bem temperado, salada recém colhida, ovo caipira, queijos fresquíssimos e, claro, pratos sofisticados à base de truta salmonada, fondues guarnecidas por molhos inebriantes, massas leves, perfumadas por ervas orgânicas...
Os ingredientes locais, combinados à criatividade, sensibilidade e técnica apurada de nossos cozinheiros, criaram um formidável leque de opções, a ponto de incluir a região entre os melhores roteiros gastronômicos do país. Além dos restaurantes charmosos, come-se muito bem nas pousadas e hotéis espalhados pelas vilas e vales – uns abertos ao público, outros só para hóspedes. No calendário da gula, truta, pinhão, cachaça e vinho são temas de eventos especiais. Não é pra menos: a fartura de pinhão e a qualidade da truta criada por estas bandas os tornaram patrimônios locais alardeados Brasil afora. Quanto ao vinho, não se produz aqui, mas cada rótulo é selecionado com critério de profissional. Ao clima, propício à criação de trutas, soma-se o know-how adquirido pelos produtores e o capricho dos cozinheiros para elevar esse peixe de águas frias à categoria de grande estrela da culinária local. Salmonada, defumada, assada, frita, grelhada ou até crua, recebe mais de 50 modos de preparo. Cada casa tem uma receita mais atraente do que a outra: truta em cartoccío, carpaccio de truta salmonada, filé ao molho tailandês, sashimi... Para completar, ela vai bem acompanhada tanto pelos vinhos quanto pelas cachaças especiais – que caem bem purinhas ou na forma de sensacionais caipirinhas. Aliás, no quesito cachaça, temos a ilusão de estar em solo cem por cento mineiro (o que é só meia verdade). Vários donos de pousadas e restaurantes esmeram-se em dar sabores e perfumes sutis a essa bebida tipicamente brasileira. Deguste-a, envelhecida ou curtida com ervas, temperos e frutos. Já o vinho, não é apenas no inverno que tem lugar reservado: aqui, toda noite é perfeita para a bebida de Baco. Na mesa, num chalezinho romântico, no conforto de uma hidromassagem, num ofurô à beira rio...
Há 16 anos, maio é o mês do pinhão e do Concurso Gastronômico, onde cozinheiros apresentam pratos à base dessa iguaria e são julgados por chefs do quilate de Flávia Quaresma. E aí nascem caldos, massas, pães e doces. Por falar nisso, o lado açucarado da culinária local também merece ser desbravado, seja na sobremesa ou acompanhando um cafezinho bem tirado.
|